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Boys for Pele
Quem achou que Tori tinha chegado ao limite da complexidade quebrou a cara com o lançamento do terceiro álbum da deusa musical. Neste disco, Tori eleva à enésima potência a complexidade dos primeiros dois álbuns, fazendo, muitas vezes , com que as letras pareçam não ter qualquer sentido. Puro malabarismo intelectual e musical da Deusa do Som, já que tudo faz sentido, mas às vezes, o sentido é só para ela mesmo.
Com melodias sofisticadíssimas Tori chega até mesmo a tocar cravo, instrumento que foi mais utilizado na música clássica do período Barroco! e letras equivalentemente sofisticadas, o álbum beira o conceitual e o ineditismo puro, misturando gêneros musicais e assuntos dos mais diversos. Por falar nisso, uma das maiores inspirações para o álbum foi o rompimento do relacionamento de Tori com Eric Rosse, que produziu os dois álbuns anteriores da cantora/compositora/pianista/deusa apocalíptica. Por isso, Tori resolveu meter o pé na jaca e produzir ela mesmo o álbum. Se deu bem!!! Boys for Pele fascinou todos, transformando a legião de fãs da deusa em uma verdadeira horda ávida por novas peripécias musicais de Tori.
Justamente devido ao rompimento do relacionamento de anos de Tori e Eric é que o álbum soa tão passional, como se tivesse sido composto com a cantora divertindo-se ao ver alucinada seu mundo virar de cabeça para baixo. Mas, além de tratar de relacionamentos rompidos, Boys for Pele também fala sobre o uso de drogas (sem emitir qualquer juízo de valor sobre o fato, o que fez Tori, muito espertamente, evitar uma enxurrada de pieguices) e, para variar, sobre religião. Dificilmente alguém vai chegar ao nível de experimentalismo alcançado aqui por Tori. E tem gente que tem coragem de chamar Nirvana, Radiohead, e Beck de alternativos!
Como sempre, evito produzir uma lista de "melhores canções". Mas me dou ao direito de chamar de inesquecíveis, avassaladoras e pungentes, até mesmo por falta de palavras para comentar tanta coisa estupenda, as canções "Father Lucifer", "Professional Widow", "Marianne", "Caught a Lite Sneeze", "Hey Jupiter", "In The Springtime of His Voodoo", "Putting The Damage On" e "Twinkle".
Ops! Quase esqueci! O nome do álbum é uma referência aos sacrifícios de garotos feitos em nome de uma deusa havaiana chamada Pele, que era "habitante" ou "padroeira", se preferirem, de um vulcão lá localizado. Os meninos, imaginem, eram arremessados garganta do vulcão abaixo! E Tori, que perde uma província inteira de fãs mas não perde a oportunidade de fazer a piada, colocou na capa do álbum dois garotos presos dentro de uma cabana, enquanto ela mantém a guarda lá fora munida de um mero rifle de caça e serpentes diversas, aguardando o momento do sacrifício. Que gracinha, não?

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