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26 de dezembro de 2002

Portal Terra: Entrevista: aborto, nova gravadora e turnês na vida de Tori Amos

Quinta, 26 de dezembro de 2002, 11h52

Tori Amos sabe que seus dias de "A Garota" da música alternativa já se foram há muito - e ela está mais do que aliviada com isso. Com seus longos cabelos vermelhos e virtuosismo ao piano, Amos deu uma boa sacudida na pop music dez anos atrás com seu CD de estréia, Little Earthquakes. Seu fraseado ao piano era passional e sua voz, etérea. Mas foram as suas letras escancaradas sobre estupro, abuso e baixa auto-estima que cativaram o público.

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Apesar de Little Earthquakes eventualmente ter chegado a Disco de Platina, a cantora e compositora não se deu bem com a abordagem de jovem e rebelde mulher. Under the Pink, seu disco seguinte, dois anos depois, foi de alguma forma mais brando na escolha de temas. Entre os sucessos estavam "God" e "Cornflake Girl".

Boys for Pele, From the Choirgirl Hotel e To Venus and Back também venderam barbaramente, mas Amos diz que cultivar a longevidade com freqüentes turnês e manter-se próxima dos fãs significa mais do que colocar fogo nas paradas com cada um de seus álbuns. "Você decide como artista que não é algo para ser devorado. Você não é o sabor ou a moda do verão. É como um vinho, que necessita de centenas de anos para amadurecer bem", disse a cantora de 39 anos em entrevista.

"Se você pegar essa responsabilidade será algo bem diferente do que ser a moda da ocasião, ser 'A Garota'. Você jamais será a coisa que mais vendeu de toda a história, mas vai sempre estar lá", completa. Amos, que nasceu na Carolina do Norte, agora vive em Cornwall, Inglaterra, com seu marido e filha de dois anos, Natashya.

Scarlet's Walk, seu sétimo disco - o primeiro pela Sony Music - conta uma jornada através da América por uma mulher, ficcional, que conhece vários personagens. Amos recentemente fez uma turnê pelos Estados Unidos. Sua turnê internacional está marcada para começar em janeiro.

Confira entrevista:

Como surgiu a idéia por trás de Scarlet's Walk?
Eu estava na estrada no ano passado pelos Estados unidos no final de setembro. Estava em um desses ônibus, no meio da noite. Então o que se tem para fazer? Você se senta no fundo e fica olhando as faixas na estrada e as placas passarem. É curioso como os fantasmas começam a visitá-lo nessas horas, os personagens, etc. Então comecei a fazer muita pesquisa sobre essa terra que estava atravessando. Essa mulher, Scarlet, começou a dominar minha vida.

Quem é Scarlet?
Ela é qualquer mulher. Ela é um "fio". A etimologia da palavra significa que ela era uma fábrica antes de ser uma cor, então passa dessa forma pela América. Ela encontra diferentes pessoas, que vão alterando sua maneira de ver o país e sua relação com ele.

Como você descreve sua recente turnê?
Toda a turnê é baseada na idéia metafórica do fogo. Você chega ao fogo da mesma maneira que chegou centenas de anos atrás, quando soube da novidade e passou adiante a história. Então o palco está em chamas antes do início do show e você sente o fogo. Não quer dizer que tenho chamas rolando no palco ou algo assim. Não carrego pirotcnias, não se preocupem. Não vou competir com o Kiss ou Ozzy. É um fogo metafórico.

O que o mercado musical lhe ensinou?
Eu tive sorte de me encontrar com algumas pessoas que me deram conselhos muito bons. Peter Gabriel, Robert Plant são alguns de meus mentores. Gabriel me disse: "Você precisa ter seu próprio estúdio, você precisa estar no controle, pois um dia você e a gravadora vão discordar de algo e ela vai ligar para o dono do estúdio pedindo as fitas que gravou - e, nesse caso, terão de ouvir você do outro lado da linha".

Você passou por um período difícil anos atrás. O que aconteceu?
Eu estava grávida. Estava no final de minhas esperanças, então tive um aborto. Isso aconteceu algumas vezes antes. Depois disso, mudei minha abordagem de como tocar a vida por enquanto se está grávida. Quando engravidei da Tash, parei tudo. Tive de mudar meu ritmo físico. Me disseram: "Olha, você vive abortando. Você tem de mudar sua vida". Então, segui o conselho que me deram.

AP

 


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